Enguia (Anguilla anguilla)

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  • Descrição
  • Habitat
  • Ciclo de vida

A enguia é uma espécie caracterizada pela forma do seu corpo, muito alongado e cilíndrico, com mandíbula inferior proeminente e pele muito escorregadia. A morfologia troca de forma notável ao longo do ciclo vital e a sua cor também é variável, entre tons pretos, esverdeados e amarelados que mudam para tons prateados quando se aproxima à fase de maturação.

A enguia é uma espécie catádroma, ou seja, passa grande parte da sua vida nos rios, migrando depois para o mar onde se reproduz.

A desova tem lugar no mar dos Sargaços, no Atlântico setentrional, a grandes profundidades.

Na água doce vive no fundo, preferencialmente de areia e lodo, onde se enterra para invernar.

Adapta-se a diferentes condições de salinidade e temperatura, pelo qual pode habitar em qualquer médio aquático, já sejam rios, canais, lagos e inclusive poços.

Quanto à alimentação, é uma espécie omnívora e detritívora.

A reprodução no mar dos Sargaços acontece a final do inverno ou durante a primavera. Quando nasce, a enguia começa como uma larva, transparente e aplanada lateralmente. Quando se aproximar à costa transforma-se em meixão, com cor esverdeada e ventre esbranquiçada. A migração através do Atlântico dura entre 3 e 7 anos. Durante a ascensão nos rios, de outubro a abril, vai alimentando-se e torna-se enguia amarela, com o dorso quase preto e o ventre amarelado. Finalmente, quando atinge a maturação sexual adquire um tom prateado, pelo qual é conhecida como enguia prateada, e começa a sua migração ao mar. É durante este descenso quando se produz a pesca da enguia nos rios. Uma vez chega de novo ao mar dos Sargaços, a enguia desova e fecha assim o ciclo vital.

  • Estado de conservação
  • Fatores de ameaça
  • Medidas de conservação

O estuário do rio Minho é uma das poucas localizações de enguias que mantém certa importância em Espanha, embora o seu estado de conservação é preocupante, pelo qual tem sido catalogada como espécie “vulnerável” no troço internacional do rio.

Possui uma elevada importância a nível ecológico e também económico no rio Minho, pois é o único rio português onde a captura de meixão é permitida.

Embora seja um migrador catádromo, as ameaças sobre a espécie e o habitat são as mesmas que para as espécies migradoras anádromas. Assim, as principais ameaças sobre a espécie são:

  • Pesca de meixão não controlada, devido ao seu elevado valor comercial.
  • Poluição por descargas de estações de tratamento e efluentes domésticos e industriais

– Perda da qualidade química da água.

– Alteração do regime hidrológico e os processos biológicos.

– Incremento da temperatura da água.

  • Construção de obstáculos no leito (barragem da Frieira, mini-hídricas, açudes).

– Redução do habitat disponível.

– Dificuldade de migração na ascensão ao rio.

  • Aumento da dispersão no rio de uma parasita exótica (Anguillicoloides crassus) que se aloja na bexiga natatória das enguias e pode comprometer a sua migração reprodutora.
  • Gestão da pesca da cria do meixão
  • Construção de passos para as enguias nas barragens
  • Depuração das descargas