Alosas: Sável e savelha (Alosa alosa e Alosa fallax)

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  • Descrição
  • Habitat
  • Ciclo de vida

O sável e a savelha são duas espécies muito próximas que podem mesmo chegar à hibridação. Tem o corpo comprimido lateralmente, com grandes escamas e cor prateada e brilhante com manchas pretas atrás do opérculo. Sável e savelha distinguem-se uma da outra pelo número de branquispinhas do primeiro arco branquial (que no sável é o duplo que na savelha) e pelo tamanho dos adultos (o sável entre 40 e 85 cm enquanto a savelha só 25-45 cm). Os sáveis podem viver até 8 anos e as savelhas até 12.

São espécies migratórias anádromas, isto é, vivem principalmente em água salgada e reproduzem-se nos rios.

No mar são gregárias e vivem em profundidades de até 200-300 m. Habitam tanto sobre a plataforma continental como na zona litoral e a savelha preferencialmente próxima aos estuários.

 

Os adultos entram nos estuários no final do inverno e durante toda a primavera. Quando sobem o rio não se alimentam, pelo qual nesta fase perdem até 55% do seu peso.

Entre maio e junho é a desova em zonas de pouca profundidade e com zonas de areia ou seixos. A savelha costuma desovar em troços médios ou baixos do rio, mesmo nos estuários, enquanto o sável procura troços superiores.

Os juvenis chegam ao estuário durante o verão e o outono e permanecem ali, os de sável por 4-6 meses e os de savelha até o segundo ou terceiro verão.

Depois voltam ao mar, até atingir a maturação sexual e iniciar novamente o ciclo.

  • Estado de conservação
  • Fatores de ameaça
  • Medidas de conservação

O sável e a savelha estão presentes no rio Minho e o seu estado de conservação é preocupante, pelo que estão conceituados como espécies “vulneráveis”. A situação é comum a outros territórios da Europa, onde as suas populações estão a reduzir-se de forma drástica e, no caso do Minho, a situação é especialmente crítica no troço internacional ao seu passo por Portugal.

Os principais fatores que ameaçam a sobrevivência destas duas espécies de Alosa no troço internacional do rio Minho estão relacionados com a sobrepesca e a alteração do habitat.

  • Contaminação por descargas de estações de tratamento e efluentes domésticos e industriais

– Perda da qualidade química da água

– Alteração do regime hidrológico e os processos biológicos

  • Construção de barragens e obstáculos intransponíveis no leito (barragem de Frieira)

– Dificuldade de migração para os lugares de desova naturais (a savelha não está afetada como o sável já que desova mais para perto da desembocadura)

– Redução do habitat disponível

– Perda de qualidade hidromorfológica por variações de caudal

  • Sobrepesca e pesca furtiva
  • Introgressão genética (hibridação entre o sável e a savelha)

– Diminuição de efetivos

As principais ações para favorecer a recuperação da espécie são:

  • Favorecer o passo migratório mediante a construção de elevadores nas grandes barragens e a eliminação de obstáculos. Os passos para salmonídeos não servem para o sável nem a savelha, já que a sua capacidade de natação e salto é menor.
  • Depuração das descargas do rio
  • Proibição efetiva da sua pesca
  • Aumentar o nível de proteção na legislação nacional